Marta Rodriguez - São Paulo-SP - Escritora entusiasta. Comecei a poetizar em 29/12/2006. Escrever é uma paixão. Levar para o mundo o mais belo dos sentimentos, o Amor, em forma de poesias, contos e crônicas, para mim é um desafio do coração...
Viva às horas da minha vida
Que bem vivas badalam cada segundo
Do amanhecer ao anoitecer
Festejando tantos outros vivas
Antes de o meu corpo finalmente adormecer...
Viva à vinda do meu ser
A esta vida de horas tão corridas
Simplesmente para viver
A cada nova hora, um novo alvorecer...
Viva à vida de cada ser
Que veio esta vida conhecer
Trazendo consigo tantas outras vidas
Para a humanidade não morrer...
Viva intensamente a vida
Para o seu corpo nela não padecer
Junto às horas mortas
Que a vida também pode lhe oferecer...
Viva às horas da vida!
Poem #2
Natal
(Marta Rodriguez)
O que vamos comemorar neste ano?
Suponho que as inúmeras tragédias que há tempos
vêm assolando o Mundo e a nossa gente.
Sim, é verdade, mais um ano está chegando ao fim,
e com ele as esperanças de que realmente a felicidade existe.
Onde está a felicidade, se passamos o ano inteiro chorando
sob as indiferenças governamentais?
Senhores afortunados, reúnam as suas famílias e amigos,
façam os seus banquetes!
Enfeitem suas casas e ruas com luzes multicoloridas,
montem suas árvores de Natal e coloquem sob elas todos os presentes que o seu dinheiro puder comprar e comemorem!
Comemorem os gritos desesperados da fauna e da flora
ecoando no silêncio do seu descaso!
A morte dos que se foram precocemente,
abatidos pela violência crescente de um mundo desgovernado.
Não se esqueçam de comemorar o prato vazio
daqueles que foram e que ainda serão abatidos pela fome.
Daqueles que neste Natal, mais uma vez, dormirão cobertos
pela miséria e amanhecerão famintos e
descrentes de um Mundo que deveria ter coração!
Comemorem as tristezas de milhares de crianças
que dormirão à espera de um Papai Noel inventado que não virá!
Comemorem os seus descasos,
os abandonos e a cegueira de todos aqueles que não querem ver o sofrimento que paira sobre a humanidade.
Comemorem o final dos tempos sob
as lágrimas de Cristo...
Levantem suas taças e façam um brinde aos governantes!
Eles sim têm motivos de sobra para comemorarem.
Estão felizes e confiantes com as suas formas de governar...
Este ano, não montarei a minha árvore de Natal.
Não farei banquete algum.
Dormirei no horário habitual e rezarei muito,
como faço todas as noites do ano.
Sim, porque não tenho o que festejar, o que brindar...
Perdoe-me senhor!
Mas estou triste e em luto!
Me recolherei no silêncio da minha dor e,
no calor da Sua luz, falarei-lhe das minhas tristezas,
direi que há muito estou desacreditada, mas
não do Vosso amor e sim dos meus irmãos de carne!
Sei que me entenderá,
porque como eu,
sei que sofres igualmente as dores dos nossos irmãos...
Poem #3
A Travessia
(Marta Rodriguez)
Esperançosa, ela gera com amor o filho
envolto a um manto sagrado: “o ventre”.
Ele, pequenino e indefeso ainda não vê,
o que se passa do lado de fora!
Está bem protegido pelas paredes confortáveis,
quentes e sólidas, daquela que desde já o venera.
Ele ainda não sabe o que é o sofrer, a fome e o frio,
as necessidades e as dificuldades que terá de enfrentar,
mas sente perfeitamente as correntes de vibrações
positivas e negativas fazendo a travessia,
através do olhar daquela que se angustia,
ao registrar na memória, retratos de um povo sofrido
em busca da tão sonhada paz...
Ora é a imagem de uma criança desnutrida de mãos dadas com a mãe, rumo a um destino incerto, ao lado do pai desesperado
em passos desalinhados à procura de um novo emprego,
que aceite a sua idade avançada, ou a sua ignorância...
A de uma família feliz, no playground de seu luxuoso prédio
a brincar numa tarde de domingo ensolarado.
A de um estudante do terceiro ano cabisbaixo,
preocupado com a faculdade, que ele não terá!
A mulher bem vestida estacionando o seu carro,
e a senhora maltrapilha de mãos estendida no faról...
É chegado à hora dele, o pequenino,
fazer a tão esperada travessia,
deixando para trás a mãe placenta,
o conforto e a segurança de um mundo perfeito e feliz!
Horas passam, o dia chega ao final,
a noite atravessa a madrugada,
e a bolsa se rompe entregando-o aos cuidados
de um mundo inseguro, egoísta e desigual...
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